sexta-feira, fevereiro 09, 2018

UM MURRO SOBRE A MESA PELA VENEZUELA


(Artigo de opinião mês Fevereiro - revista Madeira Digital )

A crise económica na Venezuela, originada pela ditadura política vigente, é um assunto que não pode deixar nenhum madeirense indiferente, até porque há uma enorme comunidade madeirense a residir naquele país. 

Não podemos, de algum modo, passar ao lado de uma realidade que, por si só, é de uma violência atroz. As crises na Venezuela têm destruído aspirações, património e bem-estar de tantas famílias madeirenses que apostaram tudo naquele País, com a agravante de ter efeitos na nossa própria economia, quer por via da perda de remessas, quer pela anulação de investimento daquela comunidade, que muito contribuiu e contribui para o desenvolvimento da nossa Região.

Felizmente a Madeira de hoje não é a mesma da que propiciou a saída de tantos e tantos conterrâneos para a América do Sul. Repito, não é a mesma de todo. Mas seria fazer vista grossa não reconhecermos que o rasgo da partida à aventura na procura incessante de melhor qualidade de vida para terras longínquas por estes nossos irmãos, contribuiu não só para a ansiada melhoria de vida dos seus protagonistas, como para todos os que cá ficaram, proporcionando através das suas transferências financeiras uma melhoria acentuada de qualidade de vida. Senão vejamos, foram os investimentos em habitações, foram as empresas que criaram, foram as famílias que ajudaram financeiramente e não só, até mesmo na dimensão cultural o que permitiu um intercâmbio que fez crescer e abrir horizontes a todos.

Esta é uma crise sem precedentes, que mata sonhos e que coloca em causa até a própria subsistência de homens e mulheres trabalhadores, empreendedores e aventureiros. O estado venezuelano não olha a meios para os seus fins, características de uma ditadura comunista que promove a desigualdade e que mais não faz do que fomentar uma sociedade medíocre, dependente e refém da política musculada. E o que temos feito para fazer face a esta situação? Assistimos impávidos. De facto, existem muitas cartas de intenções, muitas demonstrações de solidariedade que não passam de gestos, mas que pouco se têm materializado. É compreensível o desespero e até mesmo a revolta daqueles que não têm saída, até mesmo o de conseguir uma viagem para regressar à sua terra natal, pela inércia de uma suposta ordem internacional.

De facto, é mais do que claro, que a Venezuela hoje não é apetecível do ponto de vista dos interesses e dos recursos naturais. Se assim o fosse a atitude seria outra, seria a de enfrentar o poder instalado e déspota, de modo a normalizar o clima político, o modelo social e financeiro do país.

Por mais esperança que exista em quem tudo deu a um país que outrora o acolheu, ou mesmo por via das preces de tantos irmãos crentes, o tempo passa, a situação agudiza, o desespero é medonho e a crise não só instala-se como progride. É tempo de dizer BASTA! É tempo de acabar com tantas atrocidades à vida humana. Já é tempo de por fim a este flagelo social. É hora de fazer valer as instâncias internacionais, com firmeza e com voz firme, lembrar que existem milhares que esperam por nós, que precisam de ajuda e que têm de ser resgatados da mão de um regime viciado, anarca e que ostraciza a dignidade humana.

Urgem medidas que coloquem a razão à tona, que condicionem este estilo de governar e que acabem de uma vez por todas com a perseguição instalada.

O povo venezuelano, e, em particular, os madeirenses na Venezuela, não merecem ser vítimas desta cabala nem de estar presos nas garras de um sistema armadilhado e interesseiro que mais não quer do que conservar e manter o domínio político a todo o custo.

E nós, residentes na Madeira, temos a obrigação e o dever de solidariedade, de dar voz a quem neste momento não tem: Aos nossos irmãos residentes na Venezuela. 

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

DA ILHA COM MUITO ORGULHIO

A freguesia da Ilha é a segunda freguesia mais nova da Madeira. Foi fundada em 1989 e é conhecida por ser um lugar pacato, seguro e bonito. Pese embora ser um local caracterizado pela emigração, é uma freguesia de referência da Madeira no que respeita ao seu desenvolvimento integral e sustentável. 
Indiscutivelmente o ponto mais forte da Ilha é as suas gentes. Senão vejamos, foi um povo que nunca se rendeu à condição geográfica e que desde muito cedo foi exemplo de bravura, união e de ter objetivos comunitários bem vincados. 
Foi o povo da Ilha que construiu com os seus próprios meios a sua igreja, o principal marco de afirmação enquanto localidade. 
É um Povo de emigração, onde as pessoas originárias da Ilha são conhecidas pelas terras onde se sediaram como pessoas trabalhadoras e humildes, tendo como valor predominante o da honestidade. 
Por sua vez é um povo sonhador, solidário, de paixão e com objetivos de vida bem definidos. Os seus jovens são o orgulho da sua terra e das suas famílias, até porque mesmo com as dificuldades característicos de um local isolado e com carências, que felizmente pertencem a outra Madeira, não relegou os seus propósitos. Hoje, felizmente, e como exemplo que evidência este salto é o facto de serem contadas pelos dedos o número de famílias nucleares que não têm um elemento licenciado.
Um povo de mérito, gente aguerrida, pessoas esforçadas que do Pico Ruivo, passando pelo Caldeirão Verde e além-mar não fica nem deixa ninguém indiferente. 
De facto, por ser um território pequeno, as pessoas da Ilha são conhecidas como os “primos da Ilha”. Culturalmente há sempre um elo de ligação parental entre as pessoas. Seja quem for, em que tempo for ou onde for, entre os nossos pares, há sempre um grau parental que nos une. Ou são primos de 2º ou de 3º ou de 4º grau. Talvez, e apesar de ser uma questão cultural, possa ser um dos motivos que fortaleceu a união nos propósitos comuns e no progresso da Ilha ao longo da sua história. Caso para dizer que não são gente do acaso e como bem reza a sabedoria popular “este trigo é meu primo/ e o centeio é o meu parente/ não há festa nenhuma/ que este meu primo não entre”. 
Muito mais haveria para dizer mas é nas pessoas, na gente como eu, que neste artigo inaugural no espaço freguesias.dnoticias.pt, escrevo em homenagem. Deixo aqui um pouco da minha terra de onde sou originário. 
Sem nunca renegar às minhas origens a Ilha foi a terra que me viu nascer e crescer. 
A Ilha é um dos meus orgulhos, a Ilha é a minha vida!

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

CHEGA DE CRÍTICAS INFUNDADAS


Terei de começar por confessar que sou pouco apreciador do tom menos abonatório que alguma crítica sempre apontou às Casas do Povo. Isto não quererá dizer que a crítica não é saudável, desde que construtiva e conhecedora, nem tão pouco pretendo, com isto, afirmar que tudo é perfeito. De facto, a perfeição não existe, e estranho seria se existisse apenas nas Casas do Povo.

Mas reforço esta indignação porque senti na pele, e que, como eu, muitos outros agentes foram sentindo, críticas no mínimo injustas, até pelo esforço diário que é necessário para conseguir que aquelas associações sejam funcionais e deem respostas concretas e muitas das vezes urgentes e necessárias face aos desafios das freguesias onde se inserem. Felizmente a crítica destrutiva surge de uma minoria, desconhecedora e, apesar de continuar a existir, as instituições avançam e não vergam à tentação mais fácil – a de desistir.

Se as Casas do Povo fazem confusão a outros agentes? Claro que fazem! Na realidade, quem trabalha, com mérito, afinco e resultados é quase sempre um alvo fácil para apontar e abater. É bem mais cómodo pouco ou nada fazer, revoltar-se com quem faz, e ficar na bancada a apontar defeitos e esperar que a maledicência se encarregue de vingar. Felizmente não é o que reza a prática. Sim, à frente das Casas do Povo estão dirigentes, todos voluntários, que em vez de muitas vezes estarem a usufruir do tempo livre nos projetos pessoais ou familiares, estão a trabalhar em prol do desígnio público e das comunidades.

Não, estas instituições não são reféns de qualquer partidarismo. Esse é o argumento mais fácil e possivelmente o que melhor abona à demagogia, logo, uma moda que tem vingado no tempo, embora altamente falaciosa, sendo certo que será igualmente verdade que para qualquer partido deveria ser um motivo de regozijo terem militantes que são também dirigentes associativos, sinal de que os seus filiados estão próximos das causas e das pessoas.

Por outro lado, é de estranhar assistirmos a quem defenda que as Casas do Povo sejam extintas porque não têm utilidade e que se sobrepõe a outras instituições, o que constitui uma mentira! De facto, não há atropelos, a sociedade fica, sim, a ganhar, se cada entidade focar-se nos seus objetivos, e estou certo que não precisam de entrar no campo das casas do povo ou vice-versa se cumprirem o seu papel. Ainda sobre esta matéria, que democracia seria a nossa se não se respeitasse um dos direitos basilares dos cidadãos, que é a liberdade de associação, direito esse consagrado no artigo 46.º da Constituição da Republica Portuguesa.

Está comprovado que as Casas do Povo, nas localidades onde existem, têm grande utilidade e são as instituições mais próximas que existem das pessoas e com respostas adequadas aos desafios que vão surgindo. (…) É indiscutível que hoje existem eventos e projetos originários das Casas do Povo que do ponto de vista da mediatização acompanharam o nome e o desenvolvimento das freguesias.

De facto, as Casas do Povo são instituições legais, de direito privado, de utilidade pública e que respeitam as regras da contabilidade e da contratação pública. Por sua vez, prestam contas a todas as entidades que as subsidiam, por via de projetos, ou de contratos programas. Hoje, apesar de serem dirigidas por voluntários, são instituições com gestão profissional: Há controlo, há rigor, e regem-se por mecanismos claros, fiscalizados por órgãos próprios e por entidades externas.

As Casas do Povo na Madeira são instituições de utilidade pública que procuram dar respostas concretas em diversas áreas, com maior preponderância nos domínios social, cultural, educação, desporto, emprego, empreendedorismo social, entre outras.

Está comprovado que as Casas do Povo, nas localidades onde existem, têm grande utilidade e são as instituições mais próximas que existem das pessoas e com respostas adequadas aos desafios que vão surgindo. Ninguém pode esconder ou negar que foram muitas das Casas do Povo da Região que não só contribuíram para diminuir as assimetrias entre as localidades, projetaram revoluções de mentalidades e dinamizaram projetos e atividades de uma riqueza considerável e com grande projeção para as referidas localidades, algumas vezes dando-as a conhecer ao mundo. É indiscutível que hoje existem eventos e projetos originários das Casas do Povo que do ponto de vista da mediatização acompanharam o nome e o desenvolvimento das freguesias.

Atrevo-me a concluir que quando se conhece profundamente o âmbito de atuação e o trabalho desenvolvidos pelas Casas do Povo, a nossa perceção sobre esta realidade muda. Tantos são os exemplos que o tempo ensinou a mudar, e assim continuará.

Com orgulho e para reflexão, de alguém que foi dirigente cerca de 14 anos de uma Casa do Povo, a Casa do Povo da Ilha.