sábado, dezembro 30, 2017

Desejos Para Um Novo Ano

A opinião deste mês no Económico Madeira:
DESEJOS PARA UM NOVO ANO
Há muitos e muitos anos atrás havia um povo que aceitava sempre as escolhas de um auto-intitulado rei de um império. O rei sempre fora poderoso, era o dono da razão, o único que nos conflitos entre povos e continentes, mesmo se apropriando do trabalho dos outros, era considerado o maior dos maiores, vencendo qualquer batalha.

Por detrás dessa força, as fragilidades e as fracas qualidades humanas eram demasiado evidentes, conseguindo-as disfarçar pela amabilidade que demonstrava às cortes, que o idolatravam e acreditavam no seu bom senso, até porque era um homem dado e "altruísta" que tudo fazia para oferecer manjares a esses "nobres".

Do seu império ninguém mais haveria de ser conhecido, nem galardoado, nem reconhecido. Por seu lado, também não aceitava que qualquer dos seus homens fosse recrutado por outro império, mesmo que para serviçal. Se assim o acontecesse, a prioridade absoluta seria o de derrubar esse  império e esse soldado.

Era um rei convicto de si, e mesmo nas batalhas de campo, de quem era o único responsável pelas estratégias, as vitórias eram sempre dele e as derrotas sempre culpa dos seus soldados. Assim foi até ao fim do seu tempo e do seu império. Foi até não restar nada, soluçando e resistindo, sobrevivendo e evidenciando, até não puder mais, o pior de si.

Esta história não é mais do que atual e vem à tona, em particular quando se fazem os votos de um ano novo, de tantos que são os desejos de uma renovada esperança para a humanidade. São tantos os povos e as nações que ainda hoje vivem condicionados. São tantos e tantos Homens que fazem apelos à paz, ao respeito entre os povos, acreditando que ainda vão a tempo de salvar o seus "impérios" e as suas gentes.

Falamos, por exemplo, da Venezuela, onde estão radicados tantos e tantos portugueses, que vêm todos os dias o trabalho de uma vida e a força de um país morrer. Falamos também de tantos outros povos que vivem sequestrados por ditaduras e regimes que promovem a desigualdade, a perseguição, a ameaça e que sequestram a liberdade de expressão.

É pela causa humana, pelos exemplos da história, que é tempo da humanidade fazer valer os seus ideias e as suas lutas pela dignidade humana, vetando  diretrizes que ameaçam os povos e que levam, até às ultimas consequências, as orientações de tantos déspotas espalhados pelo mundo. Eles não reconhecem limites, porque não os têm, nem são capazes de os colocar.
Que no novo ano 2018 sejam geradas as sementes de mudança necessárias no mundo e tão urgentes em zonas específicas do globo, antes que seja tarde, e a exemplo da história do império referenciado acima, antes que se derrote o rei e que seja o fim do "império".

sexta-feira, dezembro 01, 2017

FAZER BEM, FAZER DIFERENTE

Vivemos numa Aldeia Global onde é possível replicar quase tudo, em qualquer parte do Mundo. O conhecimento e a informação correm de uma forma alucinante fazendo com que tudo esteja em constante mutação. 
Os grandes desafios dos povos, dos territórios e de qualquer domínio de intervenção, estão assentes na diferenciação, distinção e excelência. Os ganhos são óbvios, porque o que é emergente, útil e diferente ganha competitividade.
Na indústria cultural, e perante a nova conjuntura, que resulta da democratização e do acesso generalizado, urge uma nova abordagem que aponte para a valorização do que é genuíno.
Se a diferenciação cultural é sempre uma oportunidade em qualquer região, nos casos concretos das regiões turísticas têm particular preponderância. Vejamos o caso da Região Autónoma da Madeira onde existe um trabalho de décadas que coloca em interação permanente a cultura e o turismo. Os grandes cartazes turísticos regionais são exemplo da importância económica e do contributo cultural para a valorização do Destino Turístico “Madeira”.
Há um grande trabalho na criação de marcas e de valor cultural que importa dar continuidade.
«Fazer bem e fazer diferente» pode bem servir de mote para a intervenção e para o interveniente cultural. Não basta esperar que os apoios surjam, e enquanto isso apelidar que não é dado o devido relevo à industria cultural. Não basta menosprezar a cultura apelidando-a de "parente pobre". Se estivermos atentos, o que é distinto, o que tem qualidade, é valorizado, é apoiado.
O caso concreto das tradições e da etnografia Madeirense têm sempre espaço na dinamização cultural e são marcas que acrescem conhecimentos e experiências únicas a quem nos visita.
Atualmente, temos agentes culturais e temos infraestruturas condignas de apoio á cultura, mas ainda há segmentos por explorar. Temos tradições que merecem ser valorizadas. Temos "bibliotecas humanas" que estão a desaparecer e o que fazemos é sempre pouco para registar, atempadamente, a informação que se perde todos os dias. Temos traços únicos e distintivos que são susceptíveis de gerar ainda maior valor económico.
A dialéctica cultural implica fazer mais e melhor, mais e diferente, apontando para a valorização das terras e das pessoas.
É chegada à hora de valorizar economicamente as tradições. É tempo de uma nova abordagem que reactive tradições em vias de extinção reconvertendo-as em produtos turísticos. O que é nosso, o que tem valor, o que mais ninguém faz, é precisamente por onde temos de começar. Façamos por isso!

António Trindade

http://www.madeiradigital.net/dezembro2017/#revista/pagina78-pagina79