sexta-feira, junho 09, 2017

Eventos: investimento ou perda?




Quando se fala nos valores que se aplicam aos eventos há sempre uma grande controvérsia, se os mesmos são ou não bem aplicados, e se trazem ou não retorno. 

No que concerne aos investimentos públicos nos eventos, a crítica imediata e supérflua aponta que são maus investimentos e de que existem outras prioridades, seja ela qual for existirão sempre outras mais prementes. 

A crítica esquece que existe uma indústria em torno dos eventos! Que essa indústria, como são os casos de empresas de sonoplastia, oradores, artistas, feirantes, transportes, logística, setor da criação e comunicação, serviços de catering, entre muitos outros, dependem desses apoios e dessas iniciativas, falamos também de emprego, falamos também de subsistência de empresas e famílias. 

A crítica esquece que a dinamização deste setor pode traduzir resultados, quer sejam eles em fluxos económicos, quer através da agremiação de impostos que, no final de contas, podem acabar por ter reflexos nessas áreas prioritárias. Para não falar da visibilidade para as regiões onde acontecem os eventos e a sua capacidade em gerar outras tantas oportunidades e de fomentar outros tantos investimentos.

É certo que para dissipar-se de uma vez as dúvidas e de salvaguardar os eventos,  de entre eles os agentes que os organizam e toda a sua indústria, urge mensurar a relação custo-benefício dos mesmos. Esse papel caberá aos gestores, aos estudiosos culturais e às Universidades que têm muito trabalho pela frente, debruçando-se na prova empírica da relação  objetivos e resultados dos mesmos.  

Sabemos que a animação e os eventos, em particular em regiões com peso turístico, são indissociáveis dos seus resultados mais diretos, não só pelo que representam em si mas, também, pela capacidade catalisadora da promoção dos destinos e daquilo que os distinguem de todo os outros destinos. Sem nunca esquecer que eventos não são só festas, que dentro deste tópico há também outros segmentos como por exemplo conferências, congressos, e que representam importantes ferramentas para dotar competências nas mais diversas áreas.

A lei da oferta e da procura, bem como a competitividade estão presentes na indústria cultural e repercutem-se na escolha de destinos, como por exemplo os destinos turísticos. 

Caberá escolhermos onde queremos competir, se queremos estar pujantes e no top das escolhas, se queremos atrair os melhores fóruns, os melhores congressos, os melhores artistas, ou simplesmente se queremos fazer mais do mesmo, sem criatividade, sem qualidade, sem excelência e, no fim de contas, sem uma populança relevante. 

É certo que há eventos e eventos! Se a opção é afirmarmo-nos, também nesse domínio, teremos de reforçar os investimentos e energias, em particular na produção, calendarização e programação dos eventos.

Os eventos são importantes! Que precisam de ser afinados os critérios de apoios e de elegibilidade de despesas, também! Que há que não conheça e fale sobre os eventos, se há! Mas falar de valor dos eventos não chega, é preciso demonstrar!

quarta-feira, junho 07, 2017

Quero um banco a 1€ só para mim

O sistema bancário português é de deixar qualquer pessoa perplexa. 
Depois do incentivo ao crédito, passando pela falência dos bancos e por conseguinte os apoios do Estado aos bancos em dificuldade, a cereja no topo do bolo é mesmo a aquisição de um banco por 1 euro. 
É óbvio que entende-se que o que está em causa é um caso de salvação de uma instituição bancária e não o seu valor, agora não deixa de ser curioso. 
Apesar do que se vai passando no sistema bancário português, é deveras evidente que os lesados continuam a ser os mesmos, a "banda" dos gestores bancários, inclusive os que espelharam má gestão, para não dizer outra coisa feia, continuam intocáveis. 
O sistema bancário mostra-se aparentemente pujante: novas agências, novos nomes aos bancos... tudo à grande. 
Na verdade quem paga são sempre os mesmos, os lesados também são sempre os mesmos e os protegidos são sempre os mesmos. 

Apesar de ter e de continuar a custar caro o brincar aos bancos e à finança em Portugal, resta-nos bailar o bailinho dos bancos

Caso para dizer: olho neles! 
Quem não estaria disposto a comprar um banco por 1 euro? Popular ou impopular é mais um banco e é mais um negócio difícil de explicar ao cidadão contribuinte.