segunda-feira, março 18, 2013

Legitimidades - Artigo JM

A semana que terminou foi rica no debate político regional. Discutiram-se três moções na Assembleia da Madeira: uma de confiança, apresentada pelo Governo Regional, e duas moções de censura apresentadas, respetivamente, pelo partido socialista e pelo partido trabalhista.
O tom político em torno dos documentos em apreço versaram, essencialmente, sobre a legitimidade política dos governantes e dos partidos políticos representados no parlamento regional. A troca de argumentos, emanados da discussão das moções, merecem uma analise séria e um esclarecimento à população, sob pena de se criarem ideias erradas sobre as causas da presente situação que se vive na Madeira.
O partido socialista, por exemplo, apresentou uma moção de censura "hipócrita" porque branqueia as responsabilidades do seu partido na presente conjuntura económico-financeira, que incidiu primeiramente com a Lei das Finanças Regionais de 2007, altamente penalizadora para a Madeira, e depois com a inexplicável desistência do Governo Socialista nas negociações do Centro Internacional de Negócios da Madeira, lesando severamente a Região e o país.
Por seu turno, o PTP, que não passa de um partido que vive obstinado pela subversão política na Madeira e que aproveita qualquer oportunidade para fazer "chincana" política, também apresentou uma moção de censura. Para este caso, nada melhor lembrar que a política deve ser uma actividade séria e que o povo espera respostas e soluções para os seus problemas, ao contrário dos engenhos do PTP que apenas têm o intuito de garantir espaço nos media e de criar instabilidade.
Porque os desafios são exigentes, e porque não se pode viver de insinuações e de incertezas, em boa hora, o Governo Regional apresentou uma moção de confiança, contribuindo também para clarificar o presente momento. O voto de confiança, que mereceu da Assembleia, se no dia da sua apresentação fez sentido, sai ainda mais reforçado após os bons resultados da recente avaliação do plano de ajustamento económico e financeiro pela troika, que relevou o esforço notável do Governo Regional em cumprir os objectivos e metas do plano.
Face ao exposto, não será necessário discorrer mais sobre a legitimidade deste Governo porque é no trabalho e nos resultados que se afere a competência e a capacidades de quem nos governa, mesmo com medidas externas, impostas e injustas.

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=240381&sdata=2013-03-18

domingo, março 10, 2013

Emissários - Artigo de opinião no JM


Segundo o dicionário da língua portuguesa um emissário é “aquele que é enviado para cumprir uma missão, mensageiro.” Supõe-se que esses enviados, com propósitos concretos, empenham as suas melhores qualidades a rogo da transmissão do conteúdo ao seu público-alvo.

Ao longo dos tempos a função do emissário foi se alterando trazendo ao de cima o pior da sua função. No tempo do Estado Novo, por exemplo, a figura do emissário tinha o objetivo de espiar e de transmitir a doutrina do regime. Nos dias de hoje, alguns emissários, têm o intuito de perseguir, criar desconfiança e de secar tudo o que germina à sua volta, como se tratassem de eucaliptos robustos e centenários.
Há emissários de tudo e mais alguma coisa: os que se acham superiores, outros obcecados por objetivos pessoais, mas também aqueles que, reféns das suas fragilidades e frustrações, tendem a aproveitar qualquer oportunidade para fazer insinuações e tecer juízos de valor.
As insinuações, os comentários anónimos ou até mesmo a opiniões falsas são cada vez mais habituais, daí ser crucial, da parte de quem as receciona, fazer uma filtragem pelo teor, caráter e razoabilidade desses conteúdos. É sempre importante dar o benefício da dúvida, sob pena de serem criados quadros imaginativos, injustos e difamatórios sobre pessoas, instituições e coisas.
O que se pode concluir é que esses emissários nada melhor fazem do que desmoronar os princípios democráticos porque não sabem lidar com pensamentos diferentes e sobretudo com o pensamento livre. Sim, porque o pensamento livre não é apenas daqueles que enfrentam, é também pertença daqueles que são enfrentados.
Porque há sempre quem viva atormentado com questões alheias, antes de ceder aos impulsos mal-intencionados, recomenda-se o crivo das “Três peneiras” do filósofo Sócrates: verdade, bondade e utilidade. Assim, se o que pretendem dizer não seja verdadeiro, nem bom, nem útil que o guarde para si próprio. Porque não seguir o ensinamento? Cabe, a cada qual, separar o trigo do joio e ter esperança porque “o futuro protege os audazes”.
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=239775&sdata=2013-03-10