domingo, janeiro 20, 2013

Urgente mudar


PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA |  

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=235876&sdata=2013-01-20 

O Partido Social Democrata nacional pode estar próximo de alcançar resultados eleitorais menos positivos por via dos sucessivos erros de governação do seu líder e primeiro-ministro, Dr. Pedro Passos Coelho. Apontam-se alguns erros que têm originado a descrença e a contestação popular ao PSD:
- Erros de Comunicação
A inabilidade comunicacional do Governo da República tem originado fugas de informação sobre matérias sensíveis, que tinham a obrigação de ser trabalhadas na esfera privada do Governo, gerando contestação sobre suposições e questões que não estão materializadas e devidamente aprofundadas. Por sua vez, ainda em matéria de comunicação, é de senso comum que os exigentes esforços pedidos aos portugueses não têm sido acompanhados de uma estratégia de comunicação explicativa sobre os motivos que os originaram e os objetivos que se propõem atingir. Os portugueses não estão à espera de facilidades ou de milagres, mas têm o direito de saber se o rumo que trilham e os esforços que suportam levarão à reabilitação do país. A política sem comunicação é uma falácia e a governação sem clareza é um “tiro” às escuras que origina a descrença e a falta de solidariedade popular.
- Inabilidade na Coligação de Governo
Não há dúvidas que este Governo da República é sustentado por uma coligação de conveniência, não existindo concertação nas posições públicas nem a partilha de responsabilidades, em especial sobre medidas impopulares que têm vindo a ser adotadas. O que temos assistido é, por um lado, os membros do Governo do PSD sistematicamente a liderar os dossiers difíceis e impopulares e, de outro, os ministros do CDS a aproveitar os dividendos da governação em ações de diplomacia ou então em inaugurações, a exemplo do que assistimos no início da semana passada quando assistimos ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e a Ministra da Agricultura a inaugurarem uma fábrica do sector primário. Este modelo de governação está esgotado, as boas políticas favorecem o CDS e os destroços das políticas impopulares resvalam sempre para o PSD.
- Reorganização administrativa
A reorganização administrativa do território das freguesias, que foi um objetivo do PSD, poderá beliscar a sua preponderância enquanto partido do poder local. A ausência de um debate junto da sociedade civil e a arrogância em forçar a reorganização administrativa sem a devida explicação dos benefícios para as populações e para o Estado, se é que existem, poderá ter efeitos já nas próximas eleições autárquicas. Não é ingénua a declaração do senhor Presidente da República, subsequente à promulgação da lei, que advertiu para a necessidade de serem tomadas as medidas adequadas para assegurar a normalidade nas eleições autárquicas, bem como o alerta que faz sobre as implicações desta reforma administrativa, pois interfere com mais de 200 municípios e reduz cerca de 1000 freguesias. Antecipamos um cenário de contestação, especialmente pela perda de identidade das populações das freguesias visadas e pela privação de alguns meios/serviços que, até há bem pouco tempo, tinham ao seu dispor.
- Relação com as Regiões Autónomas
Se há assuntos de governação que são autênticos desastres são certamente as matérias conexas com as Regiões Autónomas, em que há uma atitude centralizadora e quase “pidesca” para com estes territórios. No que se refere à Madeira, começando pelo dossier do Centro Internacional de Negócios até ao plano de ajustamento económico e financeiro e culminando com a proposta de lei de finanças regionais, são descarados os sistemáticos atropelos ao desenvolvimento e à solidariedade nacional. Apesar da maioria governativa na República ser social-democrata, comportam-se como se fossem da oposição, criando sucessivos problemas e manifestando falta de vontade em resolver as questões pendentes. Este Governo do PSD, a par do Governo de Sócrates, ficarão para a história como os governos mais anti-autonomistas da história e como os maiores inimigos dos povos insulares, motivados por uma obstinação política e quiçá até pessoal.
Os erros políticos exigem mudança, impõem a necessidade de uma nova liderança no PSD e a nomeação de um novo Governo da República que devolvam, a nível partidário e governamental, uma orientação humanista, personalista e interclassista. O PSD não deverá ser parte do problema ou origem de uma crise política, antes sim, solução responsável e merecedora da confiança eleitoral que lhe foi dada pelos portugueses em 2011. É hora da mudança sob pena de o PSD e o país ficarem sequestrados e sem solução!

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Desterro -artigo de opinião JM




Portugal é hoje um país refém das políticas internacionais, e, apesar de ser o elo mais fraco, numa relação de polos opostos, tem resignado a sua soberania a favor das organizações financiadoras. A troco de um empréstimo para resolver os erros de governação do Partido Socialista e do nada saudoso, Eng. José Sócrates, os governantes de Portugal tropeçam a cada passo que dão, sacrificando os portugueses e sem nunca inverterem a linha que tem gerado um ciclo vicioso- a austeridade.
O modelo europeu está esgotado: A rogo dos esforços de uma segunda divisão de países, outros continuam a crescer e a manter a sua estabilidade social e económica. Esta discrepância não garante um projeto europeu sólido e cooperante, conforme os princípios do seu estabelecimento, mas sim uma Europa desigual em que, de um lado, estão os ricos e, de outro, os pedintes.
É urgente que os governantes saiam do “quadrado” em que estão circunscritos e procurem caminhos alternativos à austeridade portuguesa, quiçá vincando acordos e parcerias com outros países fora da Europa, junto daqueles cujas relações e a História aproximam do nosso país e que estão numa fase de pujança económica e em franco crescimento.
Portugal não pode continuar a se comportar como um incapacitado financeiro, refém da “mercearia” que dá crédito para adquirir os bens essenciais à sua sobrevivência, porque esse caminho tende a estreitar-se e a destruir o país e o Estado. O recente relatório do Fundo Monetário Internacional é exemplo de que se seguir esse modelo estaremos à beira da morte anunciada do Estado português. A destruição do Estado Social, decorrente das conclusões daquele relatório, através das consideráveis reduções na saúde e na educação, como também a lunática redução do número de funcionários públicos acrescida a redução dos salários e pensões leva-nos a questionar o papel do Estado e os nossos deveres enquanto cidadãos.
Não podemos ser cúmplices do desterro do nosso país, nem podemos continuar a alimentar um caminho que segrega e que torna-nos mais débeis e incapacitados. Não podemos continuar a comportar que o nosso país seja hoje uma rampa de expulsão de empresas, de quadros e de jovens licenciados para o estrangeiro, resultando num estrangulamento acrescido àqueles que por cá se estabelecem. Não podemos aceitar que Portugal não ofereça futuro aos que cá vivem e que seja um foco de desmotivação para os seus cidadãos, com míseros salários, comparados com a média da União Europeia, e com uma carga fiscal incomportável. Não podemos tolerar que um país com uma tendência para o envelhecimento não possua políticas de família e de estímulo à natalidade, como garante da célula basilar e do futuro do país.
Mas tudo isto advém do esvaziamento do “xadrez” político que lidera o nosso país e que vive obcecado pelo cumprimento dos ditames das instituições internacionais. A coligação governamental está debilitada porque não existem objetivos comuns mas sim acordos táticos que, a qualquer momento, podem ser trágicos, resvalando numa crise política. A ausência de soluções para a presente situação não é unicamente da responsabilidade dos partidos da coligação, é também das outras forças políticas que limitam-se à crítica espontânea e revelam-se incapazes de apresentar um projeto sólido e com futuro para Portugal. O vazio político não passa despercebido porque, se assim fosse, não estávamos a ser governados por entidades externas.
Portugal está doente, não pelo gene do seu povo, nunca pela capacidade de superação dos seus cidadãos, mas sim pela incapacidade política que tem imperado na gestão pública nacional.

http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=235378&sdata=2013-01-14