domingo, julho 29, 2012

O Dia Seguinte


PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA |  | POR



Após qualquer tragédia envidam-se esforços para avaliar a dimensão e os efeitos causados nos bens e nas pessoas. Também no que respeita aos incêndios que deflagraram, recentemente, na Região Autónoma da Madeira, recolhem-se dados, fazem-se balanços e implementam-se ações, nos mais diversos domínios de modo a que, com a maior rapidez, se restabeleça a normalidade.
Mais do que palavras, este momento exige medidas concretas que ajudem as pessoas e que menorizem os prejuízos materiais causados pelos fogos. Desta análise e adequação das medidas é importante ter em conta as experiências passadas, nomeadamente referentes às intempéries de Fevereiro 2010, que, apesar da declarada solidariedade dos órgãos políticos nacionais e europeus, não se cumpriram, com a celeridade desejada, os compromissos assumidos. Como noutros momentos estivemos a altura, não será desta que vamos fraquejar na ajuda às populações e na recuperação das zonas afetadas.
Doravante, apesar de serem inevitáveis sinergias dos mais diversos níveis de gestão da sociedade para acudir os que mais precisam, é importante passar à fase seguinte, reerguer das dificuldades e voltar à vida normal do quotidiano Madeirense. Esta deverá ser a tónica, ao invés de alguns que preferem continuar mergulhados nas adversidades, a tentar encontrar responsáveis ou até mesmo a prosseguir fins que, para estes assuntos, nunca deveriam ser chamados, enfim registos característicos desses profetas da desgraça.
Curioso é também verificar aqueles que acham que o mundo deve parar, que devem deixar de haver motivos para a alegria, para as festas, enfim que a Região fique cravada no sofrimento e que deixe de olhar o futuro com esperança e audácia.
No que respeita aos eventos regionais, que tem sido tema da moda, de chacota ou até de contrainformação são, muitas vezes, aproveitados para a demagogia, relacionando-os com a conjuntura económica difícil e com acontecimentos trágicos nesta terra. Felizmente os eventos regionais têm, na sua essência, fins e valores, inclusive económicos, bem mais nobres do que aqueles que certos setores pretendem fazer parecer.
A indústria à volta dos eventos representa desenvolvimento e dinamização de setores profissionais. Desenvolvimento, porque em determinadas localidades são momentos únicos de promoção e de dinamização da pequena economia local; Importantes na dinamização de setores profissionais, porque movimentam a animação cultural, os transportes, profissionais liberais, artesãos e produtores diretos, entre muitos outros. A visão redutora dos eventos/festas que se realizam um pouco por toda a Região ignora a sua real importância para o turismo, um dos pilares da nossa economia, e para o rendimento de muitas pessoas e famílias.
O Dia Seguinte deve ser sempre dia de respeito, de empenho e de ações para ajudar aqueles que foram prejudicados, mas nunca poderá ser o dia de esmagar tudo o resto que se vai construindo. A vida continua e não é justo apontar o dedo a ações que dinamizam a economia regional e que combinam alegria, cultura e valores.
http://impresso.jornaldamadeira.pt/opiniao.php?Seccao=12&id=221952&sdata=2012-07-29

terça-feira, julho 17, 2012

O que os Move?





Passar ao lado dos reais problemas da população é uma opção democrática e respeitável, mas representa um completo desajustamento dos políticos para a realidade quotidiana das populações. Nenhum cidadão confia o voto num partido que está demitido e distante dos desafios atuais.

Vivemos num tempo em que a atividade política alimenta-se de estímulos. Muitas dessas motivações estão alheias aos verdadeiros interesses das populações e estão focalizadas nas ambições pessoais e de outras conveniências escondidas das populações.
Numa alusão às principais organizações políticas é possível descrever, em oito palavras, as motivações que originam as suas atitudes e posturas, designadamente:
Responsabilidade - A responsabilidade é hoje uma palavra em desuso na maioria da atividade partidária e política, uma vez que, através da crítica e da oposição, dirigida pelos media, deixa-se de lado as motivações nobres e aumenta-se o ceticismo dos cidadãos para com a política. Contudo, apesar dos exemplos infelizes, ainda existem políticos que, com sentido de missão, honram os seus compromissos e enfrentam os problemas, não com intuito de se lamuriar, mas sim com o objetivo de restabelecer a normalidade, dar esperança e fazer com que as pessoas confiem no futuro.
Incoerência - Quando a frontalidade escapa ao discurso político e reflete o taticismo oportunista está-se a deteriorar a confiança e a fiabilidade dos órgãos e dos representantes do povo. Na política como na vida não é possível retirar os dividendos em todos os planos de ação porque o jogo pode valer durante algum tempo, mas nunca para sempre. As incongruências acabam sempre por ser descortinadas, e nessa altura, serão irremediáveis os recuos de última hora, próprios dos climas eleitorais.
Insinuação - Será demais questionar aqueles que optam, pela denúncia infundada, expelindo raiva através das palavras e das suspeições? Será que com esse timbre político se salvaguarda, com elevação, os desígnios que deveriam defender? Ou será que produzem ações com o intuito de ganhar na comunicação social? Quando o exercício da atividade política sugere transparência, e que os programas político-partidários dever-se-iam repercutir em ideias e propostas, a favor da população, muitos atores políticos colocam-se ao ataque mandatados por interesses.
Subversão - A política pela subversão é recorrente de alguns partidos políticos que pretendem através da ameaça, da violência e da selvajaria implementar a ditadura das minorias. Exacerbar os princípios democráticos é popular mas não pode ser pretexto o para a perturbação e para ameaçar as maiorias legitimadas pelo povo.
Desespero - A ortodoxia de certas correntes ideológicas, ultrapassadas e obsoletas, estão desvirtuadas do mundo atual, daí que o desnorte e a aflição têm levado a que forças políticas, numa lógica de sobrevivência, optem pela arruaça e pela desorientação.
Insulto - Esconder-se por detrás da legitimidade do voto e da representação, enquanto titulares de órgãos de poder político não é desculpa para insultar e produzir ataques ferozes e enraivecidos. Não basta insinuar, não basta espelhar o boato, é preciso provar o que se diz porque, mesmo no calor do momento, na política não pode valer tudo.
Ausência - Passar ao lado dos reais problemas da população é uma opção democrática e respeitável, mas representa um completo desajustamento dos políticos para a realidade quotidiana das populações. Nenhum cidadão confia o voto num partido que está demitido e distante dos desafios atuais.
Destrutor - Nem sempre as causas de bandeira podem servir de pretexto para toda e qualquer ação política. As organizações que se envergam defensores de um determinado setor, mesmo sem visão, mas com rasto para a produção de um número, são irracionais no método e na forma que escolhem porque, mais do que defender essas causas, é fundamental que se estudem os dossiers e que se apresentem soluções para os problemas que dizem conhecer.
Este é um retrato possível das organizações políticas que temos mas que pouco refletem a confiança do povo nos atos eleitorais. Quando se defraudam expectativas das populações subtrai-se a importância que deveria representar a política no dia-a-dia. Agindo daquela forma perde-se o enfoque e perdem-se os valores que deveriam servir de proteção aos cidadãos.
As orientações atuais das organizações políticas servem para fazer um balanço e uma prospeção de futuro. O resultado do voto não pode, nem deve, ficar no vazio das palavras ou numa arma a favor da incoerência, da insinuação, da subversão, do desespero, do insulto, do desespero, da ausência e da distorção. Perante o que se assiste dessa classe política e do que se pode esperar no futuro, cabe a cada cidadão, em liberdade, escolher e premiar aqueles que, com responsabilidade, agem em transparência e honram a legitimidade popular.