terça-feira, janeiro 11, 2005

Uma JSD/ Madeira mais Valorizada! Do Social ao Cultural- Moção Congresso

1.Reflexão Interna da JSD e do Seu Papel
A JSD/ Madeira tem demonstrado ao longo da sua história nas suas lutas e pretensões, que é uma juventude que tem como objectivo principal, participar, trabalhar e defender da melhor forma os jovens, na garantia de proporcionar um futuro ambicioso.
Somos jovens, e pelo simples facto de sermos e assumirmos essa condição somos insatisfeitos por natureza, o limite das nossas ambições surpreendem-nos de dia para dia.
Temos mostrado, apresentando medidas concretas nos meios onde estamos inseridos, que temos valor, que sabemos aquilo que queremos para os jovens, para os sociais democratas e para todos os jovens madeirenses. É nas propostas concretas que nos distinguimos de todos os outros, e por essa mesma razão, não consentimos o facto de sermos apelidados de jovens à espreita de oportunidades. Estas ideias que tentam reprimir a JSD são tentativas para que deixemos de ocupar e de defender o nosso espaço político, espaço esse que serve para reflectir, trocar ideias e acima de tudo para que possamos tomar parte das decisões que irão interferir nas nossas vidas.
A ambição da JSD, da JSD da Autonomia XXI que não se inibe, que apresenta um projecto de futuro com propostas e medidas concretas, demarca-se de qualquer juventude partidária, demarca-se pelo projecto, pelas causas e por ser a voz que faz ouvir os jovens. Não somos uma juventude que aparece, que se aproxima dos jovens apenas em momentos eleitorais. Não somos sem dúvida uma jota que investe forte no marketing político, a dizer que acreditam no futuro e que acreditam na mudança. É claro que eles acreditam na mudança, pois eles assistem tal como nós, a mudanças profundas, mas essas mudanças manifestam-se nos tons partidários que os ofuscam, no laranja da social-democracia. Somos distintos de movimentos “grupais” de movimentos em que segregam interesses, porque trabalhamos, sugerimos e fazemos. Trabalhamos tendo sempre na vanguarda das nossas reivindicações os jovens.
Esta escola política, e que devido à sua representatividade nas instituições decisórias, permite-nos implementar medidas de curto-prazo, medidas essas que se repercutem no dia a dia do jovem madeirense, querendo que o futuro seja cada vez melhor, com cada vez mais condições.
Só faz sentido encorporar e beber deste projecto, o projecto da JSD, se queremos e defendemos efectivamente os jovens. É esse propósito que nos deve fazer mover, sabendo tirar partido das nossas instâncias, da nossa estrutura quer seja ela regional, concelhia ou local.


2. A Maneira da JSD estar na política

Não podemos de modo algum desvirtuar a nossa forma de estar na política, dizer aquilo que os outros querem ouvir, mas sim dizer e defender aquelas que são as nossas convicções, as nossas ideias, os nossos anseios e as nossas necessidades.
Habituámo-nos a ser diferentes, demarcamo-nos por termos opinião própria em matérias transversais, à JSD não interessa a juventude, interessa todas as áreas para estarmos preparados para o futuro.
Por isso acredito que vamos continuar a assumir esta atitude, e não queremos de modo algum ser rotulados como o “parente pobre” ou o “parente inexperiente” no seio da discussão e da decisão política.
Não importa que incomodemos, que reivindiquemos, continuaremos a exigir junto dos órgãos de decisão. Esse é o nosso papel na defesa incessante dos jovens.
Queremos e temos vindo a mostrar que somos fundamentais no interior do nosso partido, que mobilizamos, que trabalhamos e que também contribuímos para os excelentes resultados que o nosso partido tem obtido. Fazemos parte do projecto social democrata, fazemos parte de um partido que tanto nos honra, que nos atende, e que considera que somos um parceiro fundamental para a prossecução dos seus fins.
O projecto da Juventude Social Democrata deve ser acima de tudo defender os nossos jovens, defender aqueles que muitas vezes não se conseguem fazer ouvir, independentemente do seu estatuto social, da sua profissão ou do seu local de origem. Aqui não deve haver discriminação, separação, lutas ou anseios mais importantes do que outros. Somos e queremos continuar a ser a juventude partidária de TODOS os jovens, desde o jovem agricultor, ao pedreiro, ao jovem desempregado até ao jovem empresário porque é nesta roda viva que temos a geração do futuro.

3.As nossas Diferenças
Somos e queremos continuar a ser um exemplo de uma juventude idónea, responsável e atenta aos problemas da juventude e de toda a sociedade civil. Somos a juventude que ouve com atenção os jovens e que faz-se ouvir por responder às solicitações dos jovens.
Mostramos no dia a dia o nosso valor, a nossa força, o nosso interesse pelos problemas e obstáculos da sociedade contemporânea. Mas o nosso verdadeiro valor reside no seio da nossa juventude, na diversidade do seu pensamento. No entanto partilhamos a unicidade de lutas e conquistas, e só assim temos vindo a ultrapassar os obstáculos que se deparam, e só assim estaremos preparados para enfrentar o futuro.
Revelamo-nos uma juventude de convicções, com ideais, com um pensamento próprio e acima de tudo revelamo-nos numa juventude madura, uma juventude que não se esgota nas soluções, nos projectos e nas alternativas para garantirmos a concretização de sonhos.
Estamos certos que devido às exigências dos eleitores, resultado do desenvolvimento subtil que assistimos na nossa região, os desafios são cada vez maiores, as dificuldades crescem mas queremos demonstrar que a juventude é capaz de responder a elevadas expectativas.
Por isso mesmo estamos aqui mais uma vez para reflectirmos, para que possamos sair reforçados e fortalecidos preparados para as lutas e os desafios, devemos sair deste congresso envolvidos numa só voz porque só assim estaremos no caminho certo.

4.O Contributo do Militante e Simpatizante na JSD/M
Interessa assim, fazermos um exercício de consciência, e analisarmos se contribuímos verdadeiramente para a prosperidade e para o fortalecimento da nossa organização? Se queremos passar a imagem de uma juventude desorganizada ou debilitada? Se queremos ver o nosso valor espelhado nesta JSD? Ou então se queremos destruir esta organização criando facções como estamos habituados a ver os nosso opositores? O debate é fundamental, a diversidade é fundamental e é um princípio da democracia, mas não queiramos destruir a nossa organização com guerrilhas, com disputas, no objectivo de apurar o mais forte. Fortes seremos sempre se soubermos unir-nos na diversidade natural da juventude.
Certamente devemo-nos orgulhar de uma jota que tem sempre na vanguarda das suas preocupações a juventude, os interesses de todos os jovens, de sermos uma jota que se une em torno e na defesa dos seus anseios, e de acima de tudo de sermos jovens que resistimos às contrariedades ou tentativas de distorção.
Somos parte integrante de um projecto que funciona em equipa e que tem como fim último dignificar estes jovens, utilizando para isso meios que se resumem em trabalho e humildade, reconhecendo as nossas vulnerabilidades.
Sabemos que a nossa estrutura é heterogénea, mas é nessa heterogeneidade que marcamo-nos pela diferença e é aí que encontramos e descobrimos que o nosso campo de acção é transversal, sem descurar os desprotegidos e todos os que não têm voz. Esta juventude é a expressão desses jovens, daqueles que sentem dificuldades no seu dia a dia.
Não queremos nem poderemos querer ser uma elite, e não podemos enveredar em vícios que só nos podem fragilizar. Somos do terreno e trabalhamos no terreno.
Para nós jovens só faz sentido estar na política se sentirmos que somos iguais, se considerarmos que é este o nosso dever, independentemente da profissão, do nosso estatuto social e das nossas capacidades.

5.A área Social como Bandeira da JSD/M
Urge nos tempos que correm, e devido ao facto de ter concretizado algumas objectivos em termos de desenvolvimento e crescimento, trabalharmos outras prioridades.
Os problemas sociais são naturais de qualquer sociedade mas é indispensável os jovens começarem a considerar estas preocupações na sua agenda. Infelizmente na nossa sociedade existem muitas desfavorecidos, muitos desses que são incapazes de fazer ouvir a sua voz, bem como encontrar meios para melhorar a sua vida. Por isso temos de incutir nos nossos jovens, a sensibilidade para estas questões, promovendo o combate à pobreza e à exclusão social. Para isso é fundamental que se encontrem mecanismos para que se valorize os indivíduos e essencialmente os jovens que se encontram nestas situações. Em vez de atribuir subsídios, seria melhor trabalhar essas pessoas e desenvolver competências pessoais e profissionais adequadas para um exercício de uma actividade. Para melhorar a vida das pessoas não basta darmos aquilo que elas mais precisam, os bens de primeira necessidade, mas sim fazer com que esses indivíduos possam dispor desses bens pelas suas próprias mãos. Não podemos continuar a defender políticas sociais que envolvem as pessoas numa dependência de instituições e de subsídios, mas sim através de medidas concretas que possam melhorar a vida das pessoas, e que estas possam passar de um estado de dependência para um processo de inserção na sociedade, garantindo a sua própria subsistência, e gerando riqueza.
Para crescermos como sociedade exemplar não basta olharmos para todos aqueles que atingem uma certa estabilidade, mas para crescermos num todo temos de ter em conta todos aqueles que sofrem, que são discriminados e excluídos. Cabe a nós jovens, aspirarmos por uma sociedade melhor e para isso teremos de dar as nossas mãos e enfrentarmos os problemas sociais como nossos, sabemos que todos unidos em torno destas problemáticas mais facilmente poderemos encontrar soluções, porque todos os homens, todos os jovens devem ter acesso à concretização dos seus desejos. Não podemos relegar para OUTROS a resolução destes problemas, deve partir de nós, porque exigimos uma sociedade melhor e porque somos a geração do futuro.

6.O Espaço da Cultura na Vida dos Jovens.
O processo de valorização e preservação da cultura e essencialmente da cultura madeirense, deve também ser uma luta da JSD/M. Não podemos deixar que os nossos jovens esqueçam todo o nosso trajecto cultural, esquecendo aqueles aspectos que nos distinguem das outras regiões e de outros países. A cultura tem uma riqueza incalculável, por isso, os jovens devem estar sensibilizados para a sua preservação. Importa que os jovens se envolvam e que também com o seu contributo possam valoriza-la. Não podemos pensar que a cultura pertence aos intelectuais, aos escritores e aos antepassados.
A cultura é um elemento fundamental de resgate dos valores sem os quais a experiência humana torna-se uma experiência empobrecida e amarga, por isso o acesso à cultura deve ser solidário, fraterno, igualitário e justo. Deverá ser um instrumento de luta permanente de memória contra o esquecimento, preservadora e criadora de valores, significados, símbolos, normas, mitos, imagens, presentes nas práticas quotidianas, nas instituições e nos movimentos.
A língua, a literatura, as artes de espectáculo, as artes plásticas, a arquitectura, o artesanato, o cinema, o artesanato, a fotografia e a radiotelevisão constituem parte integrante da nossa diversidade cultural.
Com as rápidas mutações que ocorrem no mundo e com a REVOLUÇÃO INFORMÁTICA, onde apenas sobrevivem alguns vestígios ou traços dos tempos passados é necessário que não se deixe perder esses pequenos traços e que não se apague memórias que se foram acumulando ao longo dos tempos. Com o novo quadro, não podemos dizer de um dia para outro adeus a tudo aquilo que nos familiarizou. É necessário promover o equilíbrio entre o progresso e a preservação de valores, hábitos e história.
Deste modo é necessário sensibilizar os jovens madeirenses para a história e os valores que lhes são comuns, de fomentar o seu conhecimento de obras e de património madeirense, sempre no respeito pelas especificidades locais. Mais concretamente é necessário favorecer intercâmbios culturais, abrindo aos cidadãos, artistas e profissionais da cultura a participação em projectos, estimular a criatividade e facultar o acesso em mais larga escala à cultura.
A necessidade da criação de uma identidade cultural é muito importante no mundo globalista de hoje. Existem traços que podem marcar a diferença, ou seja, a criação de um espaço que nos permita a diversidade cultural num mundo cada vez mais homogéneo. A Madeira possui uma identidade cultural resultado de características geográficas específicas e ao longo dos tempos foi gerindo as soluções próprias para os seus desafios.
Sendo assim urge a necessidade de desconcentração e descentralização cultural no sentido de evitar que se crie apenas um “centro cultural”. Pretende-se a pluralidade de locais de promoção e divulgação cultural. Torna-se necessário imaginar mecanismos que ampliem o acesso de todos à cultura. É importante que na Madeira se fortaleça e enriqueça a cultura de forma sustentável, dando a imagem de uma região capaz de concretizar resultados integrando hábitos, costumes e tradições.
É este repto que cabe a nós jovens de mostrarmos o interesse pela nossa cultura, valorizando o melhor que se faz na cultura na nossa região. Temos de ser persistentes atenuando as assimetrias no que toca ao acesso da cultura em determinadas zonas da nossa região.
No que concerne às instituições de carácter cultural é importante que se dê prioridade à especialização na área cultural como qualificação para o exercício de funções de chefia nestas instituições. A especialização e a qualificação dos dirigentes vêm à partida dar maior capacidade de resposta cultural.
Esta deve ser uma lota da JSD no sentido de dotar às instituições, bem como a todos aqueles que trabalham nesta área, meios para que possam desenvolver actividades culturais, promovendo a disseminação cultural fazendo valer a competência e a qualidade. Não podemos descurar que a cultura é uma das valências da promoção turística da Madeira e por essa mesma razão, não podemos fazer com que se perca estes traços que nos distinguem, pois a sua perda poderá ter custos a longo prazo.

A JSD/M será cada vez mais forte se actuar em áreas tão dispares e se tiver como lema a unidade na diversidade, porque pela irreverência, pela sua constante insatisfação e pelo seu dinamismo, tudo vale a pena.... e só aí encontraremos permanentemente O VALOR DA NOSSA JUVENTUDE.
A acção política é do povo e para o povo, neste caso dos jovens e para os jovens.


António Trindade
14/12/2004